| O Senhor precisa dele |
|
|
| Escrito por Bill | |
| 07/12/2006 | |
|
A entrada triunfal do Senhor Jesus Cristo em Jerusalém, sentado num jumento, é narrada em Marcos 11:1-11.Foi um acontecimento importante na história de Israel, cumprindo profecias do Velho Testamento. Mas há uma pequena frase neste relato de Marcos que quero considerar em detalhe, pois ela nos revela algo do propósito de Deus para com os homens. No v. 3, lemos as palavras do próprio Senhor, referindo-Se ao jumentinho: “O Senhor precisa dele”. Examinemos os componentes desta frase. “O Senhor …”A história aqui narrada destaca, entre outras coisas, alguns atributos divinos:
Este é o Homem que entra em Jerusalém num jumentinho; não um mero homem como eu e você, mas Deus manifesto em carne, onisciente e onipotente, Emanuel, Deus conosco! Eu sei que estas verdades são bem conhecidas — mas irmãos, jamais podemos perder de vista este fato: Jesus de Nazaré é o eterno Jeová! “… precisa …”Repare, porém, nas palavras impressionantes que lemos no v.3: “E se alguém vos disser: Por que fazeis isso? dizei-lhe que o Senhor precisa dele”. O Senhor precisa dele! O Senhor, onisciente e onipotente, precisava de um jumentinho? (Eis um mistério da graça de Deus: aprouve a Ele incluir-nos nos Seus planos) Sim, o Senhor precisava do jumentinho. Não como nós precisamos de alguma coisa, por necessidade. Mas porque Ele decidiu, na eternidade passada, que usaria um jumentinho, profetizou acerca disto, e agora precisava de um animal para cumprir a profecia. Deus poderia ter feito Seus planos sem o jumentinho; poderia ter planejado e profetizado algo mais espetacular. Mas Ele quis que fosse dessa forma; Ele quis usar um jumentinho! Deus precisa de Seus filhos. Há vários exemplos desta verdade na Bíblia. O Deus que criou o Universo poderia facilmente ter feito uma arca; mas Ele queria que Noé a construísse. O grande “Eu Sou” poderia ter feito o Tabernáculo num piscar de olhos; mas Ele quis que o povo de Israel o construísse. Aquele que é a ressurreição e a vida, que chamou a Lázaro da morte, poderia facilmente ter removido a pedra do sepulcro, ou até trazido Lázaro para fora sem que a pedra fosse retirada; mas Ele quis que os homens fossem Seus colaboradores. Irmãos, considerai esta grande verdade: o Senhor precisa de nós! Não, eu repito, por alguma fraqueza ou deficiência da Sua parte, mas porque Ele quis nos incluir nos Seus planos. Nós temos sido feitos Seus ministros,“ embaixadores da parte de Cristo” (II Co 5:20). Que maravilha da graça de Deus, que pessoas tão indignas pudessem ter uma participação nos planos de Deus. Podemos ser, como diz Paulo aos coríntios, “cooperadores do Evangelho” (I Co 9:23). Ele quer que nós, “vasos de barro”, cheios de imperfeições, sejamos os porta-vozes do Evangelho. Que privilégio! Que solene responsabilidade! “… dele.”Mas veja o instrumento que o Senhor iria usar. Cristo não disse que precisava de qualquer animal, mas mostrou um animal específico, e disse que precisava daquele animal; nenhum outro serviria. Não convém esquecer deste detalhe: Deus usa instrumentos humanos, mas Ele é cuidadoso na escolha destes instrumentos. Ele quer homens, mulheres e crianças fazendo a Sua obra, mas Ele escolhe aqueles que serão úteis. Ele não pega Suas ferramentas no escuro; Ele examina cada um, aponta o dedo e diz: “Eu preciso daquele”. Como é, então, o instrumento do qual o Senhor precisa? (i) Impossibilitado — O Senhor avisou Seus discípulos que o jumentinho estaria preso. Ele não poderia levar o Senhor, se primeiro alguém não o soltasse. As circunstâncias o impediam de servir ao Senhor; estava preso. (ii) Incapacitado — Não eram apenas as circunstâncias que o impediam de servir, mas a sua própria capacidade! Nunca algum homem havia montado sobre este jumentinho. Como é que um animal indomado poderia ser usado para conduzir o Senhor Jesus para dentro de Jerusalém? (iii) Indigno — Além de tudo isto, a sua condição o impedia; o jumentinho era um animal imundo segundo a lei de Moisés. Isto não era um defeito dele, mas era sua condição natural. Ele era imundo; como é que o Santo de Deus entraria em Jerusalém montado num animal imundo? Irmãos, assim somos nós, por natureza. Você quer servir a Deus? Ótimo, porém lembre-se que as suas circunstâncias, suas capacidades e suas condições estão contra você. Quanto às circunstâncias, nós somos seres imperfeitos que habitam no meio de uma humanidade imperfeita, presa e escravizada pelo pecado (veja Is 6:5). Mesmo que queremos servir a Deus, somos cientes das nossas limitações, conhecemos o pecado que nos prende. Quanto às nossas capacidades, somos inúteis. Assim como o jumentinho não estava preparado para a obra à qual o Senhor o chamou, nós não temos, por natureza, o preparo necessário para a obra do Senhor. O homem natural não tem capacidade para servir a Deus. Além disto, nenhum de nós é digno desta honra; não temos a santidade necessária para servi-lo. Ele é santo, nós somos pecadores; Ele é justo, nós injustos; Ele é perfeito, nós imperfeitos. Esta é a triste situação do ser humano: não consegue servir a Deus, não sabe servi-Lo, e não é digno desta honra. (iv) Resgatado — O jumentinho, porém, podia ser usado por Deus porque havia sido resgatado (Êx 13:13), e isto lhe dava agora um novo direito de servir a Deus. A imundícia natural era anulada pela sua redenção. Este é o primeiro pre-requisito para um servo de Deus: a redenção. No pecado é impossível sermos úteis a Deus. Sabendo plenamente disto Ele veio nos resgatar, e torna-nos totalmente dignos de servir a Deus. Pela graça de DEus, e não por mérito próprio, eu sou digno de servir ao Senhor. Para que o Senhor diga de mim: “Eu preciso dele”, é necessário que eu seja resgatado pelo sangue do Senhor Jesus. (v) Libertado — O jumentinho, antes de ser usado pelo Senhor, foi solto pelos discípulos. Aquilo que o prendia antes é lançado fora, e ele não está mais impedido de servir. Eu sou salvo, e agora quero servir a Deus. O primeiro passo, então, é livrar-me de qualquer coisa que poderia me prender. Devemos nos desembaraçar de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, como diz o escritor aos Hebreus (Hb 12:1). Devemos nos separar do mal, como diz Paulo a Timóteo (II Tm 2:21). O que é que lhe atrapalha? Uma amizade, uma carreira, um vício, um “peso” (coisas lícitas, mas que atrapalham); o que é que lhe prende? Somente depois que você, com a ajuda do Senhor, estiver “livre”, o Senhor poderá dizer: “Eu preciso dele”. (vi) Submisso — O pequeno jumentinho, em quem homem algum jamais montara, permitiu que o Senhor se assentasse nele, sem esboçar qualquer reação. Ele conhecia Aquele que montava nele, e entregou-se ao controle do Mestre. Se não somos caracterizados por submissão ao Senhor, não é de se estranhar que Ele parece não ter desejo de nos usar. Como Ele mesmo perguntou, porque chamá-Lo “Senhor, Senhor”, se não fazemos o que Ele manda (Lc 6:46)? Foi também o próprio Senhor quem disse que seremos Seus servos, mais ainda, seremos Seus amigos, se fizermos o que Ele manda (Jo 15:14). ConclusãoO Senhor precisou de um jumentinho. Hoje o mesmo Senhor, onisciente e onipotente, precisa de “cooperadores”. Ele quer nos tornar participantes da Sua obra. Quem se habilita a ser usado pelo Senhor? Lembre-se, porém: o Senhor não irá usar qualquer um. É necessário ser resgatado, libertado de qualquer embaraço, e totalmente submisso ao Senhor. Pessoas que preenchem tais requisitos serão alvo da escolha divina para algum serviço especial. Ouvirão o chamado do Senhor: “Eu preciso dele”. Seremos usados por Deus? Seremos cooperadores, na grande obra do Evangelho, daquele que nos salvou? Depende, irmãos, da nossa disposição e prontidão para servir. |
| < Anterior | Próximo > |
|---|



