| Estudo em I Timóteo |
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| Escrito por Bill | |||||||
| 26/11/2004 | |||||||
Página 1 de 5 Este estudo é baseado num estudo “on-line” feito no fórum eletrônico “Meditai” durante os anos de 2001 a 2004, contando com a participação de diversos irmãos. Não posso reivindicar a autoria dos pensamentos aqui expostos, pois vários irmãos contribuíram nos comentários. Por outro lado, a culpa por eventuais erros deve ser exclusivamente minha. Ao editar as contribuições dos irmãos do Fórum, colocando-as neste formato, tentei preservar sempre a idéia original do contribuinte, modificando apenas o estilo (o mínimo possível). Devido à natureza dos fóruns eletrônicos, será possível perceber trechos onde nos demoramos mais nos detalhes, e outros onde fomos mais rápido. Apresento aos irmãos este estudo, que não lê como um artigo, mas que, mesmo assim, creio que poderá ser útil. Comentários geraisAo estudar qualquer livro da Palavra de Deus é sempre interessante entendermos o pano de fundo daquele livro (quem escreveu, quando, para quem, para que, etc.), pois isto facilitará a nossa compreensão da mensagem do livro. Pensemos, então, sobre I Timóteo. a. AutorO primeiro versículo da epístola identifica claramente o autor: “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, segundo o mandado de Deus, nosso Salvador, e do Senhor Jesus Cristo”. Para aqueles que crêem na inspiração da Bíblia, isto basta. Para responder aos ataques da crítica moderna, recomendamos a leitura da Introdução do Comentário Ritchie vol. 12. b. DestinatárioTimóteo é mencionado pela primeira vez em At 16:1, quando uniu-se a Paulo e Silas na segunda viagem missionária (depois de ter sido circuncidado). Provavelmente morava em Listra nesta ocasião. O pai de Timóteo era grego (e provavelmente não salvo), mas sua mãe e avó (Eunice e Lóide, respectivamente) eram salvas e instruíram o menino, desde cedo, nas Escrituras (II Tm 1:5; 3:14-15). É provável que Timóteo converteu-se na primeira viagem de Paulo, quando o Evangelho chegou em Listra pela primeira vez (por volta de 47 a.D.). Timóteo acompanhou Paulo nas suas viagens, mas diversas vezes foi enviado pelo apóstolo para outros lugares, ou permanecia atrás quando Paulo precisava partir. Timóteo gozava da total confiança de Paulo (veja Fl 2:20-22). A amizade e companheirismo do velho Paulo (Fm 9) e do jovem Timóteo (I Tm 4:12) é um exemplo positivo para nós hoje. Jovens podem aprender muito trabalhando ombro a ombro com cristãos mais experientes, e estes serão grandemente animados pela companhia dos jovens. c. Circunstâncias (data, local, etc )A linguagem usada em 1:3 sugere que Paulo estivera em Éfeso pouco antes de escrever esta carta. Tudo indica, também, que ele estava em liberdade (ao contrário da ocasião em que escreveu II Timóteo, quando já estava preso). A sugestão mais aceita é que I Timóteo e Tito foram escritas, nesta ordem, no verão de 64 a.D. da Macedônia (possivelmente Filipos), e II Timóteo no verão de 67 a.D. (convém lembrar que o verão no hemisfério norte ocorre no meio do ano, quando o hemisfério sul está passando pelo inverno). Timóteo estava, nesta ocasião, em Éfeso. d. PropósitoI Timóteo foi escrita para que Timóteo soubesse “como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade” (I Tm 3:15). Este é o resumo e a chave da epístola, que podemos desdobrar em três assuntos:
Em suma: I Timóteo avisa sobre a falsa doutrina, instrui quanto à sã doutrina, e tudo isto numa forma bem pessoal ao jovem Timóteo. e. EsboçoPensando nos três assuntos mencionados acima, podemos dividir a carta de uma forma bem simples:
É claro que há outras divisões possíveis desta carta, dependendo do ponto de vista adotado (esta riqueza de detalhes da Bíblia é, aliás, uma das suas características preciosas, que a torna diferente de qualquer outro livro). O esboço sugerido acima é simples, mas não exclusivo. f. Algumas perguntasAntes de passarmos a considerar juntos o texto propriamente dito desta carta, há algumas perguntas gerais que precisamos tentar responder. i) Sendo esta uma carta pessoal, escrita a um moço que viveu quase dois mil anos atrás, qual sua utilidade para as igrejas locais hoje? Apesar de ser uma carta pessoal e antiga, I Timóteo é muito relevante nestes dias atuais pelos seguintes motivos:
I Timóteo, portanto, é uma epístola pessoal, mas que trata de assuntos relacionados às igrejas locais; é uma carta antiga, mas extremamente atual, pois é inspirada por Deus, apresentando-nos a conduta esperada por Ele na Sua casa, que é a igreja loca. ii) As duas epístolas a Timóteo e a carta a Tito são conhecidas como “Epístolas Pastorais”. Por que chamá-las assim? Algumas sugestões dadas pelos irmãos para explicar porque as três epístolas podem ser descritas pela palavra “Pastoral” foram:
Foi só a partir de 1703, através de D. N. Berdot, que esta expressão foi usada para descrever estas epístolas. Se esquecermos da conotação atual da palavra “pastor” (um homem que é o líder de uma igreja) a descrição é até adequada. Nossa compreensão da mensagem de I Timóteo será mais clara se lembrarmos do caráter diferente destas epístolas em relação ao restante do Novo Testamento, como os irmãos sugeriram acima. iii. A maioria dos comentaristas afirma que Timóteo era o pastor da igreja em Éfeso ao receber esta carta. Sabemos como refutar esta sugestão? A maioria dos comentaristas, neste caso, está errada. Timóteo não era o “pastor” da igreja em Éfeso, pois esta mesma epístola (1:2) mostra que Timóteo foi deixado em Éfeso onde já havia uma igreja local constituída. Já havia anciãos (“pastores”) ali (veja At 20:17), e estes foram constituídos pelo Espírito Santo sobre o rebanho para pastorearem a igreja local de lá (At 20:28). Eles eram os pastores, os chamados presbíteros, bispos ou anciãos. O trabalho de Timóteo era apenas ajudar tais anciãos no combate a doutrina falsa. Além disto, não há nenhum exemplo da Bíblia de uma pessoa sendo chamada de “o bispo de tal-lugar”, ou o “pastor de tal-igreja”. O Novo Testamento descreve os líderes de uma igreja usando vários títulos: “anciãos” ou “presbíteros” (a mesma palavra no grego) descreve a maturidade deles; “bispos” descreve a sua autoridade; “pastores” descreve o seu trabalho. Sempre se refere a eles, porém, no plural. Um “pastor” em uma igreja (ou pior ainda, um “bispo” sobre diversas igrejas) é invenção humana; não está na Bíblia. A prática tão comum no meio denominacional não é somente estranha ao ensino do Novo Testamento; ela também fere dois outros princípios importantes:
Timóteo, portanto, não foi pastor da igreja em Éfeso. A igreja já tinha os seus pastores (no plural), homens levantados por Deus para zelar pelo bem-estar do rebanho. |
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