| Estudo em I Timóteo |
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| Escrito por Bill | |||||||
| 26/11/2004 | |||||||
Página 2 de 5 Saudação — 1:1-2A saudação é usada para apresentar o autor e o destinatário da carta. Alguns detalhes interessantes destes versículos devem ser destacados. “apóstolo“A palavra “apóstolo”, no original, significa simplesmente “enviado”. No Novo Testamento, porém, ela é normalmente usada para descrever um grupo especial de discípulos. Lc 6:13, por exemplo, diz: “E, quando já era dia, chamou a Si os Seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de apóstolos”. A este grupo de doze foram acrescentados depois Matias (At 2) e o próprio Paulo, “apóstolo não da parte de homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai” (Gl 1:1). Este grupo de Doze (os quais, até hoje, associamos com a palavra “apóstolo”) constituem um grupo à parte, com privilégios e responsabilidades especiais. At 1:21-22 nos mostra que eram todos homens que acompanharam o Senhor Jesus durante todo o Seu ministério público, desde Seu batismo até Sua ascensão, e que todos foram testemunhas da Sua ressurreição (Paulo, que é a exceção neste caso, teve, porém, visões e revelações especiais do Senhor, conforme Gl 1 e II Co 12). Em Mt 19:28 o Senhor declara que, na regeneração, eles se assentarão em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. Também lemos que seus nomes estarão nos fundamentos da nova Jerusalém (Ap 21:14). São um grupo de servos que Deus escolheu para uma missão especial e que, portanto, foram revestidos de poder e autoridade especiais. Se lembrarmos que por 50 ou 60 anos depois da morte de Cristo as igrejas locais ainda não tinham o NT completo, e que a Bíblia foi completada pouco tempo antes da morte de João, o último apóstolo a falecer, perceberemos a necessidade de haver homens com autoridade especial naquele período transitório. Ef 2:20 afirma que a Igreja foi edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. Quando não tinham a palavra de Deus para solucionar suas dúvidas, precisavam da revelação de Deus vinda por boca dos profetas e com a autoridade apostólica. At 15 é outro exemplo desta autoridade sendo usada num momento importante. Esta é a forma normal em que a palavra é usada no NT: refere-se ao grupo especial dos Doze (mais Paulo). Especialmente nos primeiros capítulos de Atos vemos isto: várias vezes lemos dos “apóstolos”, sem qualquer outra descrição — sempre fica claro a quem a Palavra de Deus se refere. Neste sentido normal, portanto, podemos afirmar que não há “apóstolos” hoje. Já que temos a Palavra de Deus, uma revelação completa da Sua vontade (II Tm 3:16-17), não precisamos mais de apóstolos. Convém destacar, porém, que a palavra “apóstolo” também é usada num sentido mais amplo, indicando simplesmente alguém que foi enviado. O uso normal da palavra do NT (74 dentre 81 ocorrências) descreve os Doze mais Paulo, mas em 7 versículos a palavra tem outra aplicação. Duas vezes inclui Barnabé junto com Paulo (At 14:4, 14); em outras duas ocorrências alguns irmãos anônimos e Epafrodito são chamados “apóstolos” (II Co 8:23; Fl 2:25); duas vezes a palavra é usada para descrever falsos apóstolos (II Co 11:13; Ap 2:2); e um vez Cristo é descrito como sendo Apóstolo da nossa confissão (Hb 3:1). Neste sentido mais genérico, porém, a palavra não possui nenhuma conotação oficial de autoridade, mas quer dizer simplesmente “enviado”. Isto fica claro nos dois casos mencionados em II Co 8 e Fl 2, onde a palavra é usada para descrever um irmão que foi enviado para levar uma oferta de uma igreja. Também convém lembrar que “apóstolo” é um dom (I Co 12:28-29; Ef 4:11), e que o exemplo supremo de Apóstolo, nosso amado Senhor Jesus Cristo, está no Céu (Hb 3:1). Antes de expor as mentiras dos falsos ensinadores, portanto, Paulo se apresenta como um servo revestido da mais alta autoridade: ele é um apóstolo de Jesus Cristo. “segundo o mandado“É interessante notar que a palavra traduzida “mandado” ocorre apenas sete vezes no NT (sete é o número da perfeição): Ro 16:26; I Co 7:6, 25; II Co 8:8; I Tm 1:1; Tt 1:3; 2:15. Uma comparação destas passagens sem dúvida será instrutiva. Paulo era “apóstolo”, não por ordenação humana, ou por imposição pessoal, mas por mandamento divino. Muitas vezes Paulo teve que defender o seu apostolado, e vemos que o Espírito enfatiza o fato que esse apostolado ou “envio” era “não da parte de homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai” (Gl 1:1). É isso que confere a Paulo a máxima autoridade nas questões espirituais tratadas por ele. Com que confiança Timóteo podia seguir os conselhos e ensinamentos deste homem de Deus, ao ser lembrado deste fato. Cabe, porém, uma aplicação para nós hoje: temos nós igual convicção de que aquilo que fazemos é por mandamento de Deus? Isto é, temos certeza de que estamos fazendo aquilo que Deus determinou para nós? Ou não precisamos nos preocupar com isto? O exemplo de Paulo permanece como um incentivo e uma repreensão a todos nós hoje. A Bíblia fala-nos do início, da continuação, e do final da carreira de Paulo. Em At 9:6 temos o início com a pergunta: “Senhor, que queres que faça?” Em At 20:24 temos a continuação com a afirmação: “mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus…” Em II Tm 4: 6-8 temos o final com a conclusão: “…o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor justo juiz me dará naquele dia…” O ponto de partida, irmãos, para uma vida frutífera é o momento quando surge no nosso coração a pergunta de At 9:6, “Senhor, que queres que faça?“ “Deus nosso Salvador“Este título ocorre em I Tm apenas três vezes: 1:1; 2:3; 4:10, e três vezes também em Tito: 1:3; 2:10; 3:4. Quem tiver tempo, compare estas referências. Podemos fazer uma pergunta: de que forma Deus é nosso Salvador? É mais natural pensar no Filho como Salvador, mas aqui a referência é ao Pai. Como entendemos isto? Deus é realmente o autor da Salvação. A obra que o Senhor Jesus executou nasceu no coração de Deus. João 3:16 diz que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça mas tenha a vida eterna”. Foi o amor de Deus que nos trouxe a salvação na pessoa do Seu Filho, que foi obediente ao Pai em tudo que fez. Deus, portanto, é o nosso Salvador. Foi Cristo quem morreu, mas a salvação é do Deus Triúno. Por isso é chamada de “tão grande salvação”! Diversas vezes no VT também lemos que Deus é nosso Salvador. Por exemplo, Is 43:3 diz: “Eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador”, e no v. 11: “Eu sou o Senhor e fora de Mim não há Salvador”. Também em Os 13:4 e muitos outros versículos. “Senhor Jesus Cristo, esperança nossa“Sabemos, é claro, que Cristo é nossa esperança quanto ao futuro; mas será que é apenas isto? Será que Ele é nossa esperança apenas porque sabemos que Ele voltará para nos buscar, e estaremos para sempre com Ele? O irmão J. Allen escreve: “A palavra 'esperança' não deve ser restrita à volta de Cristo no fim dos tempos (a volta escatológica), mas abrange, aqui, tudo o que Deus tem planejado; tudo o que tem sido, e será, feito por Cristo; tudo o que Deus tem designado para a bênção da humanidade” (Comentário Ritchie vol. 12, pág. 33). Alguns pensam no Céu como sendo um lugar maravilhoso, sem problemas, sem aflições, “ruas de ouro”, etc. E sem dúvida que é maravilhoso; porém o Céu só é céu porque Cristo está ali. Sem Cristo Jesus não há Céu e não há esperança, pois Ele é a nossa esperança. O que deve mover nossos corações com respeito à glória dos céus deve ser o encontro com nosso amado Salvador. Como disse um poeta, é Ele quem “enche os céus de luz”. E até podemos usar as palavras daquele hino que cantamos: “No mar, na terra ou onde for, é céu estar com Cristo ali”. Lembremos desta verdade: nossa esperança não é um lugar (nem um lugar bendito como o Céu), nem uma posição celestial, mas uma Pessoa: nosso Senhor Jesus Cristo. “verdadeiro filho na fé“Esta expressão indica que Timóteo foi salvo pela pregação de Paulo. Linguagem semelhante é usada em I Co 14:15, onde Paulo diz que era pai espiritual dos coríntios porque “eu pelo evangelho vos gerei em Cristo Jesus”. O mesmo deve ter acontecido com Timóteo. Além de Timóteo, também Onésimo (Fm 10) e Tito (Tt 1:4) são chamados da mesma maneira. Note-se as expressões referentes a ambos: “gerei nas minhas prisões” e “meu verdadeiro filho, segundo a fé comum”. Temos, porém, algo mais aqui. Timóteo não era apenas um filho na fé, mas um verdadeiro filho. Isto parece indicar um filho que estava mostrando as mesmas características de seu pai. Fl 2:19-22 é uma ilustração do significado desta expressão, especialmente as palavras “de igual sentimento”. Os cristãos da igreja de Corinto também eram filhos de Paulo (I Co 4:14-17). Aquele trecho contrasta Timóteo, que é chamado de “filho amado e fiel no Senhor”, com os coríntios, que eram “filhos amados” mas não muito fiéis no Senhor. Paulo amava todos os seus “filhos” na fé; alguns, porém, lhe traziam tristeza, ao passo que outros, como Timóteo, eram “verdadeiros filhos”. Por outro lado, o Salmo 144 fala duas vezes dos “filhos estranhos” que podem causar muitos problemas a uma igreja local. Irmãos, como é necessário orar pela preservação das igrejas nas quais Deus, pela Sua graça, nos colocou! Que Ele nos preserve de “filhos estranhos” (isto é, filhos que não são filhos de Deus). “graça, misericórdia e paz“A saudação característica das epístolas de Paulo é “graça e paz”, mas as três epístolas Pastorais começam com “graça, misericórdia e paz” (repare que a versão Atualizada, infelizmente, omite “misericórdia” em Tito). Porque esta diferença? Se lembrarmos do enfoque diferente destas três epístolas, poderemos perceber a necessidade de misericórdia, não só graça e paz. As três epístolas apresentem a falsa doutrina e exortam seus destinatários a permanecerem firmes, combatendo todo ensino falso. Qualquer igreja que já tenha lutado com doutrina falsa em seu meio sabe o que isto produz entre os crentes e como se faz necessário a graça, misericórdia e a paz de Deus. É muito fácil combater o erro com amargura e ira, o que é totalmente errado. Mas se conseguimos combater o erro enquanto permitimos que a graça, a misericórdia e a paz de Deus influenciem nossas atitudes, seremos bem sucedidos. “Deus, nosso Pai, e da de Cristo Jesus“Como em tantas outras partes da Bíblia, o Pai e o Filho são colocados no mesmo nível. Devido à situação hoje em dia, é importante descobrir as inúmeras provas da divindade de Jesus Cristo, Homem e Deus. A graça, misericórdia e paz vêm tanto do Pai como de Cristo Jesus. Repare o título diferente (a diferença não aparece na Atualizada). No v. 1, duas vezes lemos “Jesus Cristo”, o Homem exaltado à destra de Deus; aqui no v. 2, porém, é “Cristo Jesus”, o Eleito que Se humilhou. Quando o assunto é o apostolado de Paulo, o Espírito Santo usa o nome do Cristo exaltado. Quando é para incentivar-nos a demonstrar a graça, misericórdia e paz que vêm dEle, o nome usado é do Cristo que Se fez Homem; Ele é o exemplo nestas coisas. “Cristo Jesus, nosso Senhor“Leia qualquer “best-seller” evangélico, ouça a conversa dos “crentes”, e você verá que sempre referem-se a Ele como “Jesus”, raríssimas vezes como “Senhor Jesus”. O nome “Jesus” é precioso ao cristão, e não é errado referir-se ao nosso Senhor assim (a Bíblia mesmo o faz). Mas se o reconhecemos como Senhor, por que não chamá-lo assim? O nome “Jesus” adotado pelo Filho de Deus quando baixou à Terra era um nome comum no seu tempo. Embora os Evangelhos o usem simplesmente, podemos notar que seus discípulos sempre o chamaram respeitosamente de “Mestre”. Referir-nos a Ele agora simplesmente como Jesus é, no mínimo, desrespeitoso, salvo quando estamos expondo alguma passagem de um Evangelho usando as palavras que lá se encontram. Ele é nosso Senhor! Sem dúvida Jesus é o nosso Senhor, e devemos chamá-lo desta maneira em verdade. Mas sempre devemos nos preocupar com o que Ele disse: “Porque me chamais Senhor e não fazeis o que vos mando?” (Lc.6:46) Sim, já fizemos o que Deus nos mandou (Jo 6:47), crendo no Senhor Jesus como Salvador. Agora, porém, devemos ser verdadeiros servos, que obedecem incondicionalmente. |
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